[Abismo]

•1 de maio de 2012 • Deixe um comentário

Tem um ditado que diz: “Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Ou qualquer coisa assim, nunca fui muito bom em lembrar (nada) essas coisas.

Mas enfim, esta pérola de sabedoria me veio a cabeça esses dias, não me lembro mais o motivo (novidade), e eu estive pensando:

“O que será que tem de tão interessante pra se ver em um abismo?”

Se estivermos passeando dentro do Mono Blaine (Charlie Chuu-chuu), desfrutando de todo aquele luxo, quando o mesmo passa por cima do abismo, o senhor King até descreve um abismo interessante. Com uma névoa (verde? vermelha? branca? não lembro) preenchendo aquele vazio, e vez ou outra, criaturas abomináveis saíam da névoa e nos ofereciam seus horrores. Apesar de interessante, nada muito belo de se ver. E nada que eu queira que me olhe de volta, obrigado.

Mas saindo do universo da fantasia, atravessando uma porta qualquer e voltando para a terra (aquela real), temos o famoso Grand Cannion. Com certeza, um enorme buraco vazio. Sem graça.

Abismo de verdade, pra mim, são aqueles no fundo dos oceanos. Aqueles onde criaturas inimagináveis sobrevivem, longe de qualquer contato com o resto do mundo. Na verdade, desconhecendo qualquer coisa que não seja o abismo. Este sim, deve ser um abismo interessante.

Mas hora, a luz não chega naquele lugar e as condições atmosféricas não nos permitiriam sobreviver lá sem uma aparelhagem incômoda demais para poder observar alguma coisa. Sem contar que conseguiríamos ver poucos metros adiante, o que é no mínimo sem graça.

Então, meu pensamento me levou de volta à frase: “Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Bem, não tem muito o que ver no abismo, e o mesmo não tem olhos pra me ver.

Mas aí me lembrei de algo que eu dizia muito quando mais novo. Qualquer coisa sobre como poetas, pensadores, filósofos e diversos desocupados com a vida ganha de plantão gostavam de pegar uma informação limpa, clara, confiável e facilmente compreendida e estragar ela, tornando-a subjetiva, obscura e capaz de ser interpretada de diversas maneiras. Pior que isso, cada nova interpretação não está menos correta do que o sentido original da frase, que depois de um tempo, desconfio eu, o desocupado nem lembra mais qual era.

Partindo deste raciocínio, comecei a desmontar o pensamento, para ver se acho algum sentido nele.

Primeiramente o que seria o abismo? O sentido literal não me serve então, procurando um novo, comecei a pensar. Quando você pensa em observar um abismo, geralmente isso envolve olhar para baixo. Mais precisamente, olhar para baixo e para uma grande área vazia. E se olhássemos para cima, não existe o céu, uma imensa vastidão infinita? É, até tem alguma semelhança.

Mas a frase em si inspira um pouco de medo. Pensando nisso, cheguei a conclusão: “Bom, geralmente quando queremos buscar o divino, contemplamos o céu. Logo, o abismo não pode ser nada menos que maligno”.

Modo interessante de pensar. Mas ainda não me satisfaz.

Então, parti para a segunda parte do dito: “…o abismo olha para você.”

Aqui, as coisas ficam mais interessantes. Primeiramente: Abismo não te olho.

Dito isto, escolhi entender que o termo “olha” significa comunicação de algum tipo e, pensando em comunicação com um abismo, eu só consigo me lembrar de uma coisa: o eco.

E, neste ponto, eu comecei a formar a minha interpretação da coisa.

Se, quando olhamos o abismo, ou seja, nos comunicamos com o mesmo, ele nos olha de volta, logo, ele se comunica de volta.

Mas, assim como um abismo não tem muito o que “dizer”, e assim como o eco é apenas um “ricochete” de som, logo:

“Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo te mostra você.”

Aí sim, eu vi lucro.

Não tem muito o que se ver em um abismo. Logo, quando você fica muito tempo contemplando o nada, você percebe que está ali, sozinho. E a única coisa que você tem pra ver é você mesmo.

Faz sentido. Ao menos pra mim, e pra mais alguns talvez.

Como eu disse antes, o autor provavelmente nunca quis dizer isso. Mas, azar o dele de não ter explicado direito.

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[Pensamentos]

•26 de abril de 2012 • 1 Comentário

Pensamentos. Em excesso, amontoados, procurando espaço. Alguns para se acomodar, outros para expandir.

Memória de longo prazo atropelando as mais recentes. Ninguém se respeita na minha mente.

O egoísmo impera e cada problema se acha superior ao outro. E se não for o bastante, mais problemático ele se torna, só para se afirmar.

Processos de rotina não funcionam mais.

Comer, beber, dormir, respirar. Até funcionam, mas não necessariamente nesta ordem.

Qualquer outra atividade que requer um mínimo de disciplina, não aparece.

Provavelmente está presa no funil que é a capacidade de processar tantos pensamentos. Brigando para encontrar espaço entre problemas, idéias, compromissos…

Escrever já é difícil.

Excesso de estímulos? Vida acelerada? Falta de disciplina?

A resposta eu sei que possuo.

Só me resta esperar que ela consiga escapar pela apertada passagem, amontoada de pensamentos.

[Desgraça Caiçara]

•4 de abril de 2012 • 3 Comentários

Ontem foi um dos dias mais caótico e engraçados da minha vida. Aconteceram tantas coisas que se eu fizesse uma narrativa aqui, a coisa ficaria enorme, confusa e, principalmente, seria muito trabalhoso. Logo, preferi organizar em alguns tópicos os “causos” de ontem.

***

- Chegar atrasado na Fatec pra prova do Rui(m). Até aí beleza, normal.

- Felizes pois iríamos embora cedo, fomos surpreendidos pelo temporal que desabou em Santos. Enfim, duas horas de zueira na cantina, esperando a chuva diminuir, já que não queríamos chegar encharcados no carro…

- Tentei pegar um café na cantina, a máquina estava desligada, fiquei na Coca. Erro fatal.

- Após a chuva diminuir, ir até o carro estacionado na outra esquina, de calça e tênis, com água até o meio da canela.

- Chegando no carro, todo encharcado da cintura pra baixo, tirei tênis, meia e calça (sim, a calça) e fui embora dirigindo de cueca.

- Dentro do carro, vidro embaçado, chuva com vento, visibilidade de 3m e nada mais. Coletei os amigos na porta da Fatec, e partimos pra aventura…

Transito apocalíptico. Não lento, não pesado, mas parado. Andando uns 5m a cada 10 minutos, quando muito. A mulecada já sem esperanças dentro do carro, e rindo pra não chorar, já que não tinha o que fazer mesmo. Aí começaram a acontecer os causos mais tensos…

- Me deu uma vontade enorme de mijar, por conta daquela lata desgraçada de Coca.

- Pessoas passando com água até a cintura, todas molhadas, mas de guarda-chuva, pra não molhar do peito pra cima!?!

- Carros atravessados na esquina, fechando a rua!?!

- Carros estacionados mergulhados até o vidro!

- Começo a cogitar a possibilidade de sair do carro, encostar numa árvore e mijar ali mesmo. O trânsito tava parado mesmo. Mas eu resisti…

- Começamos a tentar fazer o código do GTA nos celulares, pra summonar o helicóptero. Sem sucesso. Ficamos com Arctic Monkeys tocando mesmo. Ao menos, tornou o ambiente melhor…

- Do outro lado, na pista sentido ponta da praia, o trânsito estava vazio. Vira e meche passava um carro e jogava água na galera que estava entre as duas pistas. Um pobre ciclista já todo molhado tomou um PUTA BANHO quando um carro passou a milhão, bem do nosso lado. Geral do carro cascou o bico, e eu não me contive, e gritei pro cara “SE FUDEU!!”, fazendo sinal de joinha. Ao menos o maluco tava se divertindo, e levou na esportiva.

- Eis que, na outra pista, uma mulher começa a manobrar o carro, sobe de ré na CALÇADA (!!!!) e continua dando ré, devagarzinho, sem objetividade, com o carro na calçada. Não havia retorno por perto, não havia trânsito na faixa dela, não havia muita poça… Enfim, a mulher começou a andar de ré com o carro na calçada. Sinal caótico do apocalipse? NÃO! Apenas o Carl Jhonson causando em Santos.

- Nesse momento, a natureza me chamava. Eu ia passar, nó mínimo, 2 horas no trânsito. Todos já tinham ligado para suas casas e avisado sobre o atraso. Eu comecei a pensar: “Eu não vou ficar duas horas apertado pra mijar, com esse trânsito parado, passando nervoso”. Já estava dirigindo de cueca mesmo, naquele caos, tomei uma decisão e comuniquei a mulecada. Esperei o trânsito andar e parar denovo e…

- Abri a porta do carro, levantei e mijei na água que corria feroz no meio fio. Mas mijei MUITO, aquela lata de Coca desgraçada me fudeu. Nesse momento, a mulecada foi a loucura, e compreendemos nossa real situação. Estávamos fudidos, então que se foda a porra toda. Enquanto mijava, avistei ao longe o trânsito andando! Minha fé ia embora com as últimas gotas de urina. Mas eu não ia “cortar o mijo”, já tava no inferno, abracei o capeta. Entretanto, como meus movimentos são friamente calculados, terminei minhas necessidades biológicas bem na hora que o carro da frente começou a andar. EPIC SUCCESS!

- A mulecada riu uma meia hora da minha façanha.

- Começamos a discutir a burrice dos motoqueiros, cortando o trânsito, com a calçada livre pra eles passarem. A porra tava toda zuada mesmo, e nenhum pedestre, a essa altura, utilizava a calçada.

- Pedestres andavam entre os carros no meio da rua!? Sempre completamente molhados, sempre de guarda-chuva!

- Um motoqueiro passou a minha direita, deu a volta em um carro que estava a “dois carros” de distância, voltou, contornou o carro na minha frente, e continuou. Me lembrei daquele jogo da minhoquinha dos celulares antigos.

- Mais um fluxo de motoqueiros ziguezagueando quando, finalmente, mais um CJ aparece de moto e finalmente sobe na calçada! A galera dentro do carro aplaude!

- Uma senhora magrela aparece na frente da igreja do Embaré (sim, ainda estávamos lá) segurando um saco preto na cabeça. Dorgas, larguei! Agora sou o Dementador protegendo Hogwarts! Ou talvez ela estivesse espalhando a palavra de Sauron.

- Começam a surgir as primeiras infos. Um maluco no retorno, vindo da via SEM TRÂNSITO sentido ponta da praia, e tentando entrar no caos que estávamos informa: “Ta tudo entupido lá na frente, no boqueirão (??). Ninguém ta passando!”. Informação valiosa essa.

- Começam a surgir as “gatas molhadas” de Santos. Algo de bom no meio do inferno. Não, não tínhamos pena das meninas encharcadas.

- A mãe do Victor liga, e da a entender que quer que ele de um jeito de que ele chegue em casa logo. Ele se revolta e desliga. Resmunga que mãe é foda, quer que ele vá voando, ou algo assim, quando o Ricardo pergunta: “Mas por que tu ligou pra ela denovo?” Victor, em claro descontrole, GRITA: “ELA QUE LIGOU!”. 5 minutos de zueira com a situação. E aqui o Vitor perdeu sua fé.

- Ainda em frente a igreja (sim, ficamos tempo pra caralho ali) um senhor bem vestido começa a circular entre os carros, ninguém entendendo nada.  Até que ele aparece na nossa janela do passageiro, do lado do Bruno, que quase infarta, pedindo para manobrar o carro, porque ele queria entrar no beco da igreja.

- Checamos o GPS do Brunno, que abriu já com nossa localização atualizada. Allan verifica a tela e pergunta: “Por que seu GPS ta abrindo na Espanha velho!?” 10 minutos de zueira. Aqui, o Allan perdeu sua fé.

- Juntando a informação recolhida no caos, nossa gana de chegar em casa e ao mesmo tempo de sair dali, traçamos nova rota de fuga. Entraríamos no canal 4, afinal o Brunno, que fez pós doutorado nos canais de Santos, afirmou que os canais jamais encheriam. Dali, pegaríamos a Francisco Glicério. Ali é meu território. Sou mais íntimo daquela avenida do que o Sena era de Interlagos. Mentira.

- Começa a dura jornada de mudança de faixa. Estávamos na faixa da esquerda, já que frequentemente a do meio e da direita SUMIAM debaixo d’água, decidi ficar ali mesmo. Agora, tínhamos 10 metros mais ou menos pra ir da esquerda pra direita. Meus vastos conhecimentos de GTA me permitiram imbicar insanamente entre os carros, e conseguir me enfiar na faixa correta.

- FINALMENTE conseguimos entrar no canal. A rua estava sem trânsito, mas não sem caos.

- Uma viatura parada, e um policial parado na beira do canal. Mijando? Procurando um corpo? Perdido? Ninguém sabe.

- Após chegar em um cruzamento, estranhamos o trânsito no mesmo. Checamos o outro lado do canal, sentido praia. Estava uma piscina. A credibilidade do Brunno foi abalada, assim como sua fé em Deus ao ver aquilo.

- Chegamos a um trecho da rua sem luz. Estranhei ao ver duas luzes brancas muito fortes. Por um momento, revisei meus arquivos cerebrais, para confirmar: Luzes traseiras de um carro são vermelhas, não? Pois é, tinha um carro vindo na contramão. Terra sem lei. Sem Deus.

- Chegamos à rotatória! Salvação! Caímos na Glicério, a chuva retornou, mas o trânsito andava. Rua em obras, faixas fechadas, barbeiragens mil, mas ainda sim, muito melhor que a praia.

- Cogita-se parar no Extra para um lanche. A ideia é descartada.

- Chegando no orquidário, apresentei para a galera o paralelepípedo, e expliquei que o mesmo não era seguro, pois o carro perde toda sua tração. Uma verdadeira aula de atrito.

- CHEGAMOS EM SÃO VICENTE! As coisas se normalizaram, e parecia uma volta casual da FATEC. Pelos nossos cálculos, as pessoas que estavam ao nosso lado na frente da igreja, ainda deveriam estar lá.

***

Enfim, este é um pequeno resumo do que aconteceu ontem. Perdão se esqueci algum detalhe, mas a situação era extrema e a zueira beirava a insanidade. E olha que a insanidade nos cercava. O importante é que eu ri demais, e vou rir a semana inteira disso ainda. E o pior de tudo é que só quando chegamos em casa, percebemos: Não tiramos NEM UMA foto, nem um vídeo, um desenho livre, NADA! Mas fazer o que, acontece né.

***

PS: Fico imaginando a reação da pessoa no carro atrás do meu, vendo um cara saindo de cueca samba-canção e mijando do lado do carro. Talvez, para ela, aquilo foi o equivalente ao Bruno ver o canal 4 alagado. A fé em Deus dela deve ter sumido naquele momento.

[Criatividade - me esqueceu]

•26 de março de 2012 • Deixe um comentário

Autocontrole – me falta.

Orgulho – me sobra.

Angústia – me segue.

Ajuda – me aguarda.

Decisão – me foge.

Equilíbrio – me desconhece.

Ansiedade – me cerca.

Qualidades – me deixam.

Medo – me preenche.

Alívio – me ignora.

Você – me…?

[Ciclo completo]

•26 de março de 2012 • Deixe um comentário

É terrível ter os olhos abertos quando todos os outros estão fechados.

Ver coisas tão pequenas, mas tão íntimas, que tem-se a impressão de terem sido criadas apenas para a sua apreciação.

Uma apreciação solitária, desgostosa. Como ser o único com um binóculo, vendo com clareza apenas uma pequena cena distante.

Distante o suficiente para não poder ser vista pelos outros.

O suficiente para não ter importância nenhuma.

Íntimo, essa não era a palavra certa. A palava era solitário.

É assim que você sente-se, enxergando o que não foi feito para ser visto.

Talvez até tenha sido. Mas esta hipótese é ainda pior.

Porque faz você se perguntar: “Por que pra mim?”.

Tantas informações, pensamentos, dúvidas, conclusões, opiniões.

Tudo fervilha enquanto você está de olhos abertos.

O tempo passa, e toda essa confusão começa a tomar forma.

Você começa a se adaptar.

E quando tudo está quase no eixo, e os outros começam a abrir seus olhos…

Os seus se fecham.

E o ciclo se repete.

Um ciclo completo.

Opinião

•30 de janeiro de 2012 • Deixe um comentário

Cada vez mais me deparo com situações onde as pessoas falam besteira, achando que estão abalando. Onde a maioria, que antes era taxada como alienada, hoje são justamente os “descolados”. Seja um novo assunto gerado pela mídia, uma nova moda, acontecimento catastrófico, no Brasil, no Japão, em Marte, sempre surge a turba de opinadores. Gente que está disposta a presentear o mundo com sua opinião extremamente importante.

É direito, garantido na constituição, não é?

Entretanto, o que deveria ser uma enxurrada de informação, é na verdade uma epidemia de desinformação. No geral, o que se vê são mensagens de apoio a qualquer causa que pareça minimamente revolucionária, rebelde, de esquerda, anárquica ou libertadora. Mas eu disse PAREÇA. Por que?

Não importa o que essa causa realmente represente, de onde veio, quem iniciou, por que começou, pra onde vai. O que importa é COMO ela foi apresentada. Sob qual rótulo ela foi embalada. O conteúdo, de nada importa.

Estes rótulos geralmente são bem chamativos, sedutores. “Salvem o meio-ambiente!”, “Protejam a liberdade de expressão!”, “Se eu fumo, bebo, cheiro, o problema é só meu!”, “Protejam as crianças inocentes!”,  ”Não ao preconceito!”. E por aí seguem as manchetes sedutoras, prontas para arrebatar hordas de fãs pseudo-rebeldes engajados com todas as causas anti-sistema.

Mas falemos deste pouco importante conteúdo. No geral, ele é pautado com palavras-chave que reforçam o pensamento já centrado da pessoa que foi seduzida pelo rótulo.

Sob o rótulo do meio-ambiente palavras como eficiência energética, energias alternativas, desmatamento, poluição.

Sob liberdade de expressão, vemos um recheio de censura, repressão, alienação.

Sob liberação das drogas, basta misturar um pouco de egoísmo (só eu serei o prejudicado!) com estudo científicos fragmentados ( 1/3 das pessoas que injetaram orégano tiveram a depressão curada! Maravilha! O quê? Nããooo, não precisa escrever que os outros 2/3 morreram).

Crianças, ah as crianças, inocentes, despreparadas, tão carentes de proteção. Se ela matou o pai, com certeza a culpa foi do mesmo.

Chega de preconceito! 100% black!

Enfim, seja qual for a questão, estes poucos critérios são suficientes para conseguir o apoio de muitos. Ninguém se da ao trabalho de pesquisar para saber se aquelas informações, contidas sob o lindo rótulo são válidas. Como foram obtidas, sob qual circunstância, quem foi entrevistado? Pouco importa, o que vale é cumprir o papel de apoiar a causa e dissimina-la.

Entretanto, RARAMENTE, alguém se da ao trabalho de nadar contra a maré. Verificar quem é que está apoiando a causa, de onde vêm as informações, quais são as opiniões contrárias, por que o problema surgiu, qual as soluções apresentadas. E DEPOIS de ter todo esse trabalho, esse alguém opina.

Apenas para ser humilhado pela turba pseudo-rebelde engajada, rotulado de careta, alienado, fascista, retrógrado, preconceituoso, ferramenta do sistema, ignorante.

Às vezes, esta pessoa até tenta se defender, ou até mesmo educar aqueles que estão sendo manipulados pela fraca opinião que lhes foi oferecida. Na maioria das vezes sem sucesso.

E depois de um tempo observando esta nova (?) tendência, imagino que as coisas sempre devem ter sido assim. Sempre existiram os conservadores. E sempre existiram os liberais. E mais de uma vez, os liberais venceram diversas causas, que são cantadas como vitórias para a humanidade.

Mas hora, o que aconteceu após estas vitórias? O mundo não deveria estar bem diferente? Onde estão os heróis do passado?

Se o padrão é sempre ruim, e o alternativo o correto, o que acontece quando o alternativo vence, e torna-se o padrão? É pra isso que lutaram tanto para que tivéssemos o direito de opinar? Apenas para mudarem a cara e os meios de alienação?

Para quem eu devo dedicar este post, para você, careta retrógrado, que apoia a polícia truculenta, o capitalismo porco, com seu diploma universitário e carro do ano, que nunca nem fumou um baseadinho? Ou pra você, amigo punk, anti-sistema, vegetariano, que já adotou duas crianças, votou sim para o desarmamento, saiu na passeata anti Belo Monte e é figura carimbada na parada gay?

No fim das contas, não interessa. Dos poucos que vão ler isso, a maioria provavelmente vai apenas focar-se na parte que espelha sua própria opinião, e não vão se dar ao trabalho de entender a contraparte que tanto critica.

Futebol, passado e tradição.

•14 de dezembro de 2011 • Deixe um comentário

Post baseado na matéria do Blog do Juca Kfouri.

***

Hora minhas bolas, entendam crianças. O passado de um clube é chamado de tradição. Se o campeonato não existe mais, deve-se lembrar que o atual brasileirão também não existia. Se o formato de ambos é diferente, deve-se lembrar que a estrutura do futebol também era.

Aos que choram desmerecendo o passado, alguns por serem torcedores de times velhos que só se encontraram recentemente, ou de times novos que não fazem parte deste passado, fica um pensamento:

Hoje, você da importância ao brasileirão e as campeonatos atuais. Amanhã, se os mesmos mudarem seu formato, nome, ou até mesmo forem substituídos, vocês vão apagar da sua memória toda a tradição que seu time construiu, apenas porque as competições não existem mais, apenas porque o mundo, e o futebol mudou?

Isso é mais do que apenas briga de torcida, mais do que futebol. É uma questão de respeitar o passado. Afinal, um dia, eu serei passado, e espero que as gerações futuras respeitem o que eu vivi.

Não espere envelhecer para dar-se o respeito que você e as experiências que faz parte merecem.

 
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