Opinião

Cada vez mais me deparo com situações onde as pessoas falam besteira, achando que estão abalando. Onde a maioria, que antes era taxada como alienada, hoje são justamente os “descolados”. Seja um novo assunto gerado pela mídia, uma nova moda, acontecimento catastrófico, no Brasil, no Japão, em Marte, sempre surge a turba de opinadores. Gente que está disposta a presentear o mundo com sua opinião extremamente importante.

É direito, garantido na constituição, não é?

Entretanto, o que deveria ser uma enxurrada de informação, é na verdade uma epidemia de desinformação. No geral, o que se vê são mensagens de apoio a qualquer causa que pareça minimamente revolucionária, rebelde, de esquerda, anárquica ou libertadora. Mas eu disse PAREÇA. Por que?

Não importa o que essa causa realmente represente, de onde veio, quem iniciou, por que começou, pra onde vai. O que importa é COMO ela foi apresentada. Sob qual rótulo ela foi embalada. O conteúdo, de nada importa.

Estes rótulos geralmente são bem chamativos, sedutores. “Salvem o meio-ambiente!”, “Protejam a liberdade de expressão!”, “Se eu fumo, bebo, cheiro, o problema é só meu!”, “Protejam as crianças inocentes!”,  “Não ao preconceito!”. E por aí seguem as manchetes sedutoras, prontas para arrebatar hordas de fãs pseudo-rebeldes engajados com todas as causas anti-sistema.

Mas falemos deste pouco importante conteúdo. No geral, ele é pautado com palavras-chave que reforçam o pensamento já centrado da pessoa que foi seduzida pelo rótulo.

Sob o rótulo do meio-ambiente palavras como eficiência energética, energias alternativas, desmatamento, poluição.

Sob liberdade de expressão, vemos um recheio de censura, repressão, alienação.

Sob liberação das drogas, basta misturar um pouco de egoísmo (só eu serei o prejudicado!) com estudo científicos fragmentados ( 1/3 das pessoas que injetaram orégano tiveram a depressão curada! Maravilha! O quê? Nããooo, não precisa escrever que os outros 2/3 morreram).

Crianças, ah as crianças, inocentes, despreparadas, tão carentes de proteção. Se ela matou o pai, com certeza a culpa foi do mesmo.

Chega de preconceito! 100% black!

Enfim, seja qual for a questão, estes poucos critérios são suficientes para conseguir o apoio de muitos. Ninguém se da ao trabalho de pesquisar para saber se aquelas informações, contidas sob o lindo rótulo são válidas. Como foram obtidas, sob qual circunstância, quem foi entrevistado? Pouco importa, o que vale é cumprir o papel de apoiar a causa e dissimina-la.

Entretanto, RARAMENTE, alguém se da ao trabalho de nadar contra a maré. Verificar quem é que está apoiando a causa, de onde vêm as informações, quais são as opiniões contrárias, por que o problema surgiu, qual as soluções apresentadas. E DEPOIS de ter todo esse trabalho, esse alguém opina.

Apenas para ser humilhado pela turba pseudo-rebelde engajada, rotulado de careta, alienado, fascista, retrógrado, preconceituoso, ferramenta do sistema, ignorante.

Às vezes, esta pessoa até tenta se defender, ou até mesmo educar aqueles que estão sendo manipulados pela fraca opinião que lhes foi oferecida. Na maioria das vezes sem sucesso.

E depois de um tempo observando esta nova (?) tendência, imagino que as coisas sempre devem ter sido assim. Sempre existiram os conservadores. E sempre existiram os liberais. E mais de uma vez, os liberais venceram diversas causas, que são cantadas como vitórias para a humanidade.

Mas hora, o que aconteceu após estas vitórias? O mundo não deveria estar bem diferente? Onde estão os heróis do passado?

Se o padrão é sempre ruim, e o alternativo o correto, o que acontece quando o alternativo vence, e torna-se o padrão? É pra isso que lutaram tanto para que tivéssemos o direito de opinar? Apenas para mudarem a cara e os meios de alienação?

Para quem eu devo dedicar este post, para você, careta retrógrado, que apoia a polícia truculenta, o capitalismo porco, com seu diploma universitário e carro do ano, que nunca nem fumou um baseadinho? Ou pra você, amigo punk, anti-sistema, vegetariano, que já adotou duas crianças, votou sim para o desarmamento, saiu na passeata anti Belo Monte e é figura carimbada na parada gay?

No fim das contas, não interessa. Dos poucos que vão ler isso, a maioria provavelmente vai apenas focar-se na parte que espelha sua própria opinião, e não vão se dar ao trabalho de entender a contraparte que tanto critica.

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~ por Dunncan em 30 de janeiro de 2012.

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