[Desgraça Caiçara]

Ontem foi um dos dias mais caótico e engraçados da minha vida. Aconteceram tantas coisas que se eu fizesse uma narrativa aqui, a coisa ficaria enorme, confusa e, principalmente, seria muito trabalhoso. Logo, preferi organizar em alguns tópicos os “causos” de ontem.

***

– Chegar atrasado na Fatec pra prova do Rui(m). Até aí beleza, normal.

– Felizes pois iríamos embora cedo, fomos surpreendidos pelo temporal que desabou em Santos. Enfim, duas horas de zueira na cantina, esperando a chuva diminuir, já que não queríamos chegar encharcados no carro…

– Tentei pegar um café na cantina, a máquina estava desligada, fiquei na Coca. Erro fatal.

– Após a chuva diminuir, ir até o carro estacionado na outra esquina, de calça e tênis, com água até o meio da canela.

– Chegando no carro, todo encharcado da cintura pra baixo, tirei tênis, meia e calça (sim, a calça) e fui embora dirigindo de cueca.

– Dentro do carro, vidro embaçado, chuva com vento, visibilidade de 3m e nada mais. Coletei os amigos na porta da Fatec, e partimos pra aventura…

Transito apocalíptico. Não lento, não pesado, mas parado. Andando uns 5m a cada 10 minutos, quando muito. A mulecada já sem esperanças dentro do carro, e rindo pra não chorar, já que não tinha o que fazer mesmo. Aí começaram a acontecer os causos mais tensos…

– Me deu uma vontade enorme de mijar, por conta daquela lata desgraçada de Coca.

– Pessoas passando com água até a cintura, todas molhadas, mas de guarda-chuva, pra não molhar do peito pra cima!?!

– Carros atravessados na esquina, fechando a rua!?!

– Carros estacionados mergulhados até o vidro!

– Começo a cogitar a possibilidade de sair do carro, encostar numa árvore e mijar ali mesmo. O trânsito tava parado mesmo. Mas eu resisti…

– Começamos a tentar fazer o código do GTA nos celulares, pra summonar o helicóptero. Sem sucesso. Ficamos com Arctic Monkeys tocando mesmo. Ao menos, tornou o ambiente melhor…

– Do outro lado, na pista sentido ponta da praia, o trânsito estava vazio. Vira e meche passava um carro e jogava água na galera que estava entre as duas pistas. Um pobre ciclista já todo molhado tomou um PUTA BANHO quando um carro passou a milhão, bem do nosso lado. Geral do carro cascou o bico, e eu não me contive, e gritei pro cara “SE FUDEU!!”, fazendo sinal de joinha. Ao menos o maluco tava se divertindo, e levou na esportiva.

– Eis que, na outra pista, uma mulher começa a manobrar o carro, sobe de ré na CALÇADA (!!!!) e continua dando ré, devagarzinho, sem objetividade, com o carro na calçada. Não havia retorno por perto, não havia trânsito na faixa dela, não havia muita poça… Enfim, a mulher começou a andar de ré com o carro na calçada. Sinal caótico do apocalipse? NÃO! Apenas o Carl Jhonson causando em Santos.

– Nesse momento, a natureza me chamava. Eu ia passar, nó mínimo, 2 horas no trânsito. Todos já tinham ligado para suas casas e avisado sobre o atraso. Eu comecei a pensar: “Eu não vou ficar duas horas apertado pra mijar, com esse trânsito parado, passando nervoso”. Já estava dirigindo de cueca mesmo, naquele caos, tomei uma decisão e comuniquei a mulecada. Esperei o trânsito andar e parar denovo e…

– Abri a porta do carro, levantei e mijei na água que corria feroz no meio fio. Mas mijei MUITO, aquela lata de Coca desgraçada me fudeu. Nesse momento, a mulecada foi a loucura, e compreendemos nossa real situação. Estávamos fudidos, então que se foda a porra toda. Enquanto mijava, avistei ao longe o trânsito andando! Minha fé ia embora com as últimas gotas de urina. Mas eu não ia “cortar o mijo”, já tava no inferno, abracei o capeta. Entretanto, como meus movimentos são friamente calculados, terminei minhas necessidades biológicas bem na hora que o carro da frente começou a andar. EPIC SUCCESS!

– A mulecada riu uma meia hora da minha façanha.

– Começamos a discutir a burrice dos motoqueiros, cortando o trânsito, com a calçada livre pra eles passarem. A porra tava toda zuada mesmo, e nenhum pedestre, a essa altura, utilizava a calçada.

– Pedestres andavam entre os carros no meio da rua!? Sempre completamente molhados, sempre de guarda-chuva!

– Um motoqueiro passou a minha direita, deu a volta em um carro que estava a “dois carros” de distância, voltou, contornou o carro na minha frente, e continuou. Me lembrei daquele jogo da minhoquinha dos celulares antigos.

– Mais um fluxo de motoqueiros ziguezagueando quando, finalmente, mais um CJ aparece de moto e finalmente sobe na calçada! A galera dentro do carro aplaude!

– Uma senhora magrela aparece na frente da igreja do Embaré (sim, ainda estávamos lá) segurando um saco preto na cabeça. Dorgas, larguei! Agora sou o Dementador protegendo Hogwarts! Ou talvez ela estivesse espalhando a palavra de Sauron.

– Começam a surgir as primeiras infos. Um maluco no retorno, vindo da via SEM TRÂNSITO sentido ponta da praia, e tentando entrar no caos que estávamos informa: “Ta tudo entupido lá na frente, no boqueirão (??). Ninguém ta passando!”. Informação valiosa essa.

– Começam a surgir as “gatas molhadas” de Santos. Algo de bom no meio do inferno. Não, não tínhamos pena das meninas encharcadas.

– A mãe do Victor liga, e da a entender que quer que ele de um jeito de que ele chegue em casa logo. Ele se revolta e desliga. Resmunga que mãe é foda, quer que ele vá voando, ou algo assim, quando o Ricardo pergunta: “Mas por que tu ligou pra ela denovo?” Victor, em claro descontrole, GRITA: “ELA QUE LIGOU!”. 5 minutos de zueira com a situação. E aqui o Vitor perdeu sua fé.

– Ainda em frente a igreja (sim, ficamos tempo pra caralho ali) um senhor bem vestido começa a circular entre os carros, ninguém entendendo nada.  Até que ele aparece na nossa janela do passageiro, do lado do Bruno, que quase infarta, pedindo para manobrar o carro, porque ele queria entrar no beco da igreja.

– Checamos o GPS do Brunno, que abriu já com nossa localização atualizada. Allan verifica a tela e pergunta: “Por que seu GPS ta abrindo na Espanha velho!?” 10 minutos de zueira. Aqui, o Allan perdeu sua fé.

– Juntando a informação recolhida no caos, nossa gana de chegar em casa e ao mesmo tempo de sair dali, traçamos nova rota de fuga. Entraríamos no canal 4, afinal o Brunno, que fez pós doutorado nos canais de Santos, afirmou que os canais jamais encheriam. Dali, pegaríamos a Francisco Glicério. Ali é meu território. Sou mais íntimo daquela avenida do que o Sena era de Interlagos. Mentira.

– Começa a dura jornada de mudança de faixa. Estávamos na faixa da esquerda, já que frequentemente a do meio e da direita SUMIAM debaixo d’água, decidi ficar ali mesmo. Agora, tínhamos 10 metros mais ou menos pra ir da esquerda pra direita. Meus vastos conhecimentos de GTA me permitiram imbicar insanamente entre os carros, e conseguir me enfiar na faixa correta.

– FINALMENTE conseguimos entrar no canal. A rua estava sem trânsito, mas não sem caos.

– Uma viatura parada, e um policial parado na beira do canal. Mijando? Procurando um corpo? Perdido? Ninguém sabe.

– Após chegar em um cruzamento, estranhamos o trânsito no mesmo. Checamos o outro lado do canal, sentido praia. Estava uma piscina. A credibilidade do Brunno foi abalada, assim como sua fé em Deus ao ver aquilo.

– Chegamos a um trecho da rua sem luz. Estranhei ao ver duas luzes brancas muito fortes. Por um momento, revisei meus arquivos cerebrais, para confirmar: Luzes traseiras de um carro são vermelhas, não? Pois é, tinha um carro vindo na contramão. Terra sem lei. Sem Deus.

– Chegamos à rotatória! Salvação! Caímos na Glicério, a chuva retornou, mas o trânsito andava. Rua em obras, faixas fechadas, barbeiragens mil, mas ainda sim, muito melhor que a praia.

– Cogita-se parar no Extra para um lanche. A ideia é descartada.

– Chegando no orquidário, apresentei para a galera o paralelepípedo, e expliquei que o mesmo não era seguro, pois o carro perde toda sua tração. Uma verdadeira aula de atrito.

– CHEGAMOS EM SÃO VICENTE! As coisas se normalizaram, e parecia uma volta casual da FATEC. Pelos nossos cálculos, as pessoas que estavam ao nosso lado na frente da igreja, ainda deveriam estar lá.

***

Enfim, este é um pequeno resumo do que aconteceu ontem. Perdão se esqueci algum detalhe, mas a situação era extrema e a zueira beirava a insanidade. E olha que a insanidade nos cercava. O importante é que eu ri demais, e vou rir a semana inteira disso ainda. E o pior de tudo é que só quando chegamos em casa, percebemos: Não tiramos NEM UMA foto, nem um vídeo, um desenho livre, NADA! Mas fazer o que, acontece né.

***

PS: Fico imaginando a reação da pessoa no carro atrás do meu, vendo um cara saindo de cueca samba-canção e mijando do lado do carro. Talvez, para ela, aquilo foi o equivalente ao Bruno ver o canal 4 alagado. A fé em Deus dela deve ter sumido naquele momento.

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~ por Dunncan em 4 de abril de 2012.

3 Respostas to “[Desgraça Caiçara]”

  1. caralho a mijadinha foi epica veio ASDHUASHDUASD ontem vai ficar pra historia o/

  2. Errata: a gente entrou no canal 5, e não no 4.

    E FOI ELA QUE LIGOU!

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