Herói – Donnovan

Cara. Entre outras coisas, uma face de uma moeda. Fadada a não conhecer a que habita do outro lado.

Algumas ironias são como as moedas. Conhecemos a cara, a coroa, mas o que importa não é nenhuma delas. O que importa é o miolo. Ali reside o valor. E ali reside a única semelhança entre ambas.

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Nascido e criado na escuridão. Tendo conhecido apenas trevas, desde sua origem até suas mais viscosas ramificações.

Fadado ao mais grandioso destino que sua realidade permitia.

Mas sentia algo errado. Sem saber o motivo ou origem, o que era pior.

E, quase por um acaso, veio a conhecer a luz.

E ficou fascinado.

Abandonou seu passado, seu presente e seu futuro, em troca de um ideal. Um ideal abstrato, intangível. Mas possível.

Tal choque às vezes deixa marcas. E às vezes, estas marcas cobrem o que estava ali anteriormente.

Recomeçar do zero, sem saber de onde veio, ou onde está, mas sabendo pra onde ir. O objetivo é tudo que nos resta, nos move.

É apenas uma questão de tempo até o atingirmos.

Mas o tempo é cruel. Passado, presente e futuro são tão entrelaçados quanto distantes.

E o choque traz novamente tudo de volta.

A realidade perfeita encontra a sua base deturpada, podre. O que antes era altruísmo vira redenção. E a conta ainda é grande. E o tempo é curto.

É fato que a vida não foi fácil, verdade. Mas o presente confortável começa a cobrar seus débitos.

E o que fazer quando tudo que se ama começa a ruir? Os amigos começam a desaparecer. A Ordem definha. Seu amor corre risco.

Existe uma nobre alternativa. Uma intervenção divina. O sacrifício final.

Trocar todos os prazeres que a liberdade proporciona, em troca do poder para proteger o que se ama.

De certo modo paradoxal, já que não é possível lembrar o que é amor. Existe apenas a missão, e a lembrança de que ela se originou por este sentimento.

E assim continuar vagando, sendo o Anjo protetor, sempre observando, intervindo, mas nunca se revelando. Pois a maior caridade, é aquela feita no anonimato.

Mas chega o momento que o tempo mostra novamente como é soberano. E vem cobrar as velhas dívidas.

Os sentimentos retornam, e o remorso é incontrolável. A sanidade se mostra fraca uma terceira vez, e a existência é ameaçada igualmente.

Todo o bem que foi feito, não passou de egoísmo. As máscaras não enganam mais. Por fora, o Anjo Protetor. Por dentro, o demônio arrependido.

Mas ainda existe uma chance. Uma chance rara.

Imagine se todo o mal que você já possuiu, possui ou possuirá pudesse ser contido em apenas um ser?

Todas as suas imperfeições e pecados, personificados em uma pessoa.

Um mortal.

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Um novo ideal. Uma nova missão.

Como ser definido, no fim? Assassino, Cavaleiro, Dragão, Líder, Amado, Anjo?

Uma última chance.

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~ por Dunncan em 17 de junho de 2012.

Uma resposta to “Herói – Donnovan”

  1. As duas palavras em negrito foram dedicadas ao amigo D’Moriam, que possivelmente será o único a entender e apreciar o verdadeiro significado delas.

    Caso ele venha a ler isto um dia.

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